terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Superações





Alto mar, alto lá!
Nada de mar revolto.
Águas límpidas e calmas.
Um azul de tão indescritível beleza
Que chega a tocar minh’alma.

A ida até o recife de corais,
Um capricho da natureza:
Primeiro, um rio de águas turvas
Despejando-se num mar de beleza,
Misturando-se ao verde, em curvas.
Meu Deus, quanta grandeza!
Navegando mar adentro,
Percebi mudando-se aos pouquinhos
O tapete de águas mansas
Antes verdes, agora azuis bem mais.
Ao longe já se avistava
O recife de corais.

Descer do barco grande (na verdade, uma escuna),
Passar para um barco inflável e, então,
Mergulhar nas águas mornas e cristalinas.
Pisar, depois, firme o chão.
Senhor, até aqui me trouxeste!
Milagre da natureza. Eu, em alto mar,
Andando em mágica areia...
Solo formado de fósseis,
Corais mortos e eu, alheia,
Aos inúmeros ouriços pretinhos,
Espinhosos e mal escondidos
Sob as pedras do caminho.
Medo. Apesar dele, caminhar.
Mergulhar em natural piscina
Surgida com a maré baixa.
Eu brincava tal qual menina
Criança também cristalina
Rodeada de peixinhos coloridos.
E era muito bom poder voltar a brincar.
Momento pra se eternizar...

(Na volta, apenas uma cena triste:
O encontro de um golfinho morto, boiando, de lado.
Num gesto silencioso e de respeito,
Ele foi recolhido e levado à praia.)

O retorno é carregado de emoção.
Sinto falta do cheiro doce de flor
Que por vezes me envolve a me confortar.
Olho pr’aquelas águas e concluo que esse cheiro
Só pode ser azul, a cor daquele azul do alto mar.

Bênçãos eternas de meu Deus!


Sandra Medina Costa



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