
É óbvio que tenho medo do escuro.
O óbvio tem a capacidade
de ficar mimeticamente escondido.
Por isso tem que ser dito.
Para ser esclarecido.
O que há nele?
O que me impede de acender a luz?
- O gesto é simples, mãe! Basta isso: apertar o interruptor, para cima ou para baixo.
Simples. Simples assim.
- Mas tem que ser no seu tempo, mãe. Você determina a hora de apertar o interruptor.
Faça-se a luz!
E a Luz foi feita.
E a Luz era o Verbo.
E o Verbo habitou entre nós.
Escuro.
O medo que existe.
É lá no escuro,
não no futuro,
que habita o medo.
O medo é degredo.
Degredo é prisão.
Ausência de luz.
Escuridão.
Busco pela memória
longínquas lembranças
do escuro que me apavora.
Terá sido algum castigo?
Terei corrido perigo?
Gritei. Ninguém me ouviu.
É no escuro que habita o imponderável.
A noite que chega
traz com ela grandes mistérios
e o poder de tornar maiores todas as dores,
ainda que também seja cúmplice
de certos e eternos amores.
Na escuridão do meu inconsciente
há medo,
há choro,
há dor,
há desamparo.
Na escuridão do meu inconsciente,
o medo paralisa,
a voz é fraca,
o raciocínio é lento.
Não alcanço o interruptor.
- É simples, mãe. É só fazer isso: levantar-se, mover-se!
Sair da inércia.
Chegar até o interruptor.
Acender ou apagar a luz, tanto faz.
Importa a Luz maior que está dentro de mim, desde sempre.
Essa Luz...
você já sabe,
é Jesus.
Sandra Medina Costa
2 comentários:
Ola..sandra...Lindo texto..
Deus abençoe seu dia.
ve se apare ce
bjk
Oi, Guerreira! Visitei seu blog ontem. Muuuuuiiiito bom!
Abraços.
Sandra.
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