sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sua casa


 

Sua casa precisa ser o antídoto contra o estresse, não a causa dele.

Que a sua casa seja mais que um endereço. Que seja um abraço que não termina, um porto onde os ruídos do mundo amansam após a tempestade. Há portas que nos levam para fora e há portas que, quando se fecham nos devolvem a nós. A casa verdadeira começa quando a alma tira os sapatos do medo, pousa as chaves do controle e respira sem pedir licença ao relógio. Cada canto vira pausa. Cada objeto testemunha que você viveu, aprendeu e seguiu.

Coloque luz onde havia pressa. A cozinha pode ser altar, porque ali o fogo transforma o bruto em alimento, lembrando que tudo em nós amadurece ao toque do cuidado. O quarto é refúgio quando acolhe o cansaço sem perguntas, quando o corpo solta a armadura e a mente consente em repousar. A sala vira praça quando as palavras não precisam vencer, apenas visitar. As janelas lembram que o céu abre frestas a quem olha devagar.

Toda casa carrega histórias invisíveis. Quem entra percebe se ali se cultiva culpa ou compaixão, disputa ou gentileza. O que cura é simples. Uma planta recebendo manhã. Um livro à mão. O riso que vem de dentro. A coragem de dizer chega às urgências que não são suas. E quando a vida apertar, faça um ritual. Lave o rosto, acenda uma vela e permita que o silêncio conte quem você é. Há um Espírito Maior soprando ternura nos detalhes. Ele habita o intervalo entre o sofá e o chão, a xícara aquecida, e o cobertor que guarda a noite.

Se você mora só, converse com a sua esperança e deixe que ela escolha a flor da semana. Se mora acompanhado, lembre que amar também é arrumar a cama, lavar os olhos do orgulho e ouvir sem concluir. Descomplique. Reduza o barulho. Escolha menos e sinta mais. A casa que cura não esconde a vida. Ela a acolhe, mesmo quando chega desalinhada. E quando a rua for dura, volte para dentro como quem regressa ao útero do mundo. Abra as mãos. Você não precisa provar nada a ninguém. Precisa apenas repousar onde sua verdade cabe inteira. Que hoje um pouco de paz se deite nos seus ombros e aprenda a permanecer.

Fonte: do Facebook “Diário Espírita

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