quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Preciosidades de Pessoa

 


Preciosidades de Pessoa
Pasquale Cipro Neto
 
O texto de Pessoa é mais uma demonstração de que é possível inverter o velho ditado ("A arte imita a vida")

Em vestibular (2007), a Unesp incluiu a profunda e intemporal "Crônica da Vida que Passa" (de Fernando Pessoa), que assim começa:
"Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. A celebridade é um plebeísmo.
Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas ações - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, côa-as a lente da celebridade para espetaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade".
Pessoa escreveu isso num tempo em que não havia a grande "média", como dizem os portugueses (nós dizemos "mídia", forma baseada na pronúncia inglesa - é bom lembrar que a palavra vem do latim). Quando fala das "criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças", Pessoa parece antever o que hoje ocorre com os pobres de espírito que falam alto ao celular em qualquer canto ("tornam-se de vidro as paredes de sua vida doméstica", diz o grande Pessoa). Imagine se ele vivesse sob os zurros dos "big brothers" da vida...
O texto de Pessoa é mais uma demonstração de que é possível inverter o ditado ("A arte imita a vida"). Às vezes é a vida que imita a arte.
Posto isso, assentemo-nos ao rés do chão, ou seja, falemos de alguns dos interessantes tópicos linguísticos presentes no excerto de Pessoa. Um deles diz respeito à palavra "pequenezes" ("espetaculosas pequenezes"). "Pequenezes" é o plural de... De "pequenez" ("qualidade de pequeno"). Se nos valermos do próprio Pessoa ("Tudo vale a pena se a alma não é pequena"), poderemos, numa livre adaptação, dizer que tudo vale a pena, quando a pequenez da alma não prevalece. É claro que não se pode confundir "pequenez" com "pequinês", que se refere à cidade de Pequim (os cães pequineses são pequineses porque vêm de Pequim).
Pois o plural de "pequenez" remete-nos ao de "gravidez", que os leitores sempre perguntam. O plural de "gravidez" é como o de qualquer palavra terminada em "z", como "luz", "raiz", "juiz", "meretriz", "giz" etc., isto é, é feito com o acréscimo de "es" (luzes, raízes, juízes, meretrizes, gizes). Moral da história: "Suas três gravidezes foram bem difíceis".
Outra passagem que merece destaque é "quereria" ("que ele quereria invisíveis"). Trata-se da terceira do singular do futuro do pretérito de "querer". Na linguagem oral, essa forma apresenta baixa incidência (costuma ser substituída por "queria", do pretérito imperfeito - esse processo é mais do que legítimo nas variedades não formais da língua).
Na escrita formal e na literária, o uso de "quereria" não é raro ("Assim eu quereria o meu último poema / Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais...", escreveu Bandeira). É isso.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

A Oração de FEVEREIRO

 


Pelo dom de recomeçar

Mais alguns dias e começaremos mais uma Quaresma. E mais uma vez, sou convidado a tomar consciência de minha fragilidade. Sou pó, meu Senhor! Ao final de tudo, sou apenas isso: um grãozinho de poeira cósmica, habitando este infindo universo. Por isso te peço: vem em socorro de mim que sou tão frágil! Sem ti, nada posso; sem tua graça, nada sou. Vem, Senhor! Purifica-me! Corrige-me! Sustenta-me! Dá-me a graça de viver uma constante e profunda conversão, para que eu possa ajustar minha vida ao teu Evangelho, e colaborar para a construção do teu Reino. E assim vivendo, eu possa experimentar e comunicar a todos a tua paz e o teu perdão. Amém!

Padre Marcos Daniel de Moraes Ramalho

Folhinha do Sagrado Coração de Jesus


sábado, 27 de janeiro de 2024

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

 


"Lembrar para jamais repetir."
 
"O que é feito não pode ser desfeito, mas podemos prevenir que aconteça novamente."
Anne Frank