
A voz veio de longe,
materializando-se aos poucos...
Senti-a mais forte, mais próxima,
como a chamar-me novamente
a sonhar o sonho
(triste convite à loucura!).
O sonho não é bom.
O sonho é ruim.
O sonho desestrutura
(a mim, pobre criatura,
tão carente de viver um sonho
puro, verdadeiro...).
A voz denuncia seu disfarce.
Os espaços entre as palavras,
(quase imperceptíveis)
vejo-os claramente...
A voz à minha volta.
Contorno-a, desvio-me...
Crio coragem. Não olho. Não busco.
A voz se perde ao longe.
(...)
Alívio.
Um vazio enorme cá dentro de mim.
(É preciso aprender a dizer não.)
Sandra Medina Costa
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