quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Meus Pés


Meus pés.
Pés que sinalizam
a caminhada a ser cumprida
numa busca constante de felicidade.

Olhar em volta.

Os pés
injustamente feridos,
martírio da alma –
quero ser feliz.

A roseira, à minha esquerda,
se mantém firme
e não perde suas rosas,
mesmo enfrentando fortes ventos e tempestades.

A mangueira, à minha frente,
me mostra seus frutos ao alto.

Ao longe, à minha direita,
minhas montanhas me acenam
e refletem o vigor do verde
que brotou depois das queimadas.

Tudo
à minha volta
é vida.

A fragrância do creme nas mãos.
O cheiro da árvore que vez por outra me chega.
O bicho que me assustou
(coitado, tão pequeno, frágil e indefeso...
e eu mais ainda).
O medo. O choro.
A respiração do sono.
O barulho no apartamento de cima.
A luz que se acende no apartamento de frente.
O zumbido no ouvido esquerdo.
O sono que não vem.
Os latidos ao longe.
A saudade do Duque – meu cachorro preferido.
O barulho do carro na rua de trás, a freada desenfreada.
O tic-tac do relógio.
Foguetes pipocando ao longe.
A oração que acalma
A sede, a fome de viver, o amor, a paz.
O silêncio.


Sandra Medina Costa

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