quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Kércia


Imersa,
submissa,
à mercê das palavras que parecem brincar comigo,
povoando a mente, voando de lá pra cá,
vão e vêm e voltam... e
acabam por me levar a momentos mágicos.

O dia em que ganhei de você
uma pedrinha colorida
(verde misturada com azul)...
Guardo-a. É preciosa!

O tempo de ser a professora
de meu filho Paulinho
(sua maternidade já o cobria de carinho).
Guardo-o. É de ouro!

O inexato instante
em que nos vimos irmãs,
partilhando o amor de uma mesma mãe.
Guardo-o. É divino!

Ontem, seu aniversário, teve lua nova!
(Não vimos, mas a energia se fez sentir!)
Lua nova. Primavera nova que você inicia como o novo ano...
Quem deu a você tamanho privilégio
de terminar um ano e começar o novo
um dia antes de nós?
Percebeu? Está sempre à frente!
A primavera habita em você desde sempre!
Parabéns! Felicidades!

Previsão astral para o próximo ano:
- Muitas e muitas alegrias farão teu novo ano especial, principalmente junto às “filhas de Maria” (Millena e Maíra).
- No amor, mais amor ainda, pois o João tem nome sagrado e fará jus a ele.
- No trabalho, pra variar, sucessos e mais sucessos graças à criatividade que tomará proporções imensas. Você criará como nunca!


Sandra Medina Costa



"A Lua Nova marca um novo período, o início de um ciclo, um momento para plantar as sementes. É excelente para nos recolhermos, planejarmos e organizarmos nossos projetos pessoais. Um ótimo período também para começar novas atividades, pesquisar, realizar trabalhos que necessitem espírito de cooperação e tomar decisões."
(pesquisa e imagens da web)

Cauã



Cauã
Qual ave celeste
que nos vem
silenciosamente,
majestosamente,
acrobaticamente,
energicamente,
sentimos em nós,
no seu vôo,
o ar da vida
de um triunfante cristão,
Cauã – simboliza um forte gavião.

Já trazes em ti o ímã
Que, nos vôos matinais,
Atrai a sabedoria divina,
Aquela que vem do Alto
Para nos ensinar a paz.

Kauã,
guardião da sabedoria,
já tens o Theo aqui a te esperar,
sem manha, com alegria,
pois ele sabe que Theos
já escreveu tua sina
no livro da vida, com afã.

Se Deus assim permitisse,
Eu já profetizaria
Que tua marca neste mundo,
Além de filho de Keylla e Raymundo,
É ser a força do clã, Cauã,
Sob as bênçãos da Vó Maria.
Serás movido pelos anseios da alma,
em teus sonhos de liberdade.
Serás regido pela mãe Natureza,
dos caminhos a única e verdadeira tecelã,
meu menino Cauã.

Por isso, vem
Que é de luz
O teu amanhã.

Sandra Medina Costa

(imagem web)

Os Dez Mandamentos da Serenidade



1º) Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente este dia, sem querer resolver todos os problemas de minha vida de uma só vez.


2º) Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência: cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.


3º) Hoje, apenas hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também neste.


4º) Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.


5º) Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura; recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida da alma.


6º) Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação e não o direi a ninguém.


7º) Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer; e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.


8º) Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.


9º) Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente - embora as circunstâncias mostrem o contrário - que a Providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse ninguém no mundo.


10º) Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor. De modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.


Papa João XXIII


(imagem folha online)

Mais ou Menos



A gente pode morar numa casa mais ou menos,
Numa rua mais ou menos,
Numa cidade mais ou menos,
E até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos,
Comer um feijão mais ou menos,
Ter um transporte mais ou menos,
E até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.
Tudo bem.

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum,
É amar mais ou menos,
É sonhar mais ou menos,
É ser amigo mais ou menos,
É namorar mais ou menos,
É ter fé mais ou menos,
É acreditar mais ou menos.
Se não a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

(desconheço a autoria)

(imagem: folha online)

Ame as Pessoas



Sorria para as pessoas.
É o presente que podemos dar
a qualquer pessoa, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Sorrir abre a alma para a aventura de viver.

Chame as pessoas pelo nome.
É a música que gostamos de ouvir:
nosso nome em lábios amigos.

Fale com as pessoas.
O ser humano é o único capaz de se comunicar
de uma forma completa e construtiva.
Sua voz pode ser instrumento
de entendimento, mudança e cura.

Seja cordial com as pessoas.
A palavra “cordial” tem a mesma raiz de “coração”.
Arrisque. Faça tudo com prazer, de todo o coração.

Seja amigo das pessoas.
Bênçãos sempre vêm através de pessoas.
Cuide de suas bênçãos.

Tenha um interesse sincero pelas pessoas.
O outro sempre é um mundo de novidades,
de sabedoria e de experiências
que você ainda não teve.

Respeite os sentimentos das pessoas.
Num conflito, ataque o problema
e não o caráter do outro.
Um coração partido pode levar uma vida para sarar.

Elogie as pessoas.
Nunca fale mal de ninguém, mesmo que mereça.
Encoraje, reanime, valorize o outro.
É isso que você colherá de volta.

Cuide das pessoas.
A melhor maneira de nos esquecer de nossos problemas
é praticar a bondade com o outro.
Especialmente com quem está perto de nós,
e às vezes ignoramos.

Coloque pessoas em primeiro lugar.
Coisas, instituições e planos podem morrer.
Mas as pessoas que os realizam precisam viver,
devem ter a prioridade em seu coração.
Tudo o que Deus fez, fez por amor às pessoas.


(desconheço a autoria)

A Bíblia e o Celular



Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?

E se sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa?

E se déssemos uma olhada nela várias vezes ao dia?

E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa, no escritório...?

E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos?

E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?

E se a déssemos de presente às crianças?

E se a usássemos quando viajamos?

E se lançássemos mão dela em caso de emergência?

Mais uma coisa: Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela 'pega' em qualquer lugar.

Não é preciso se preocupar com a falta de crédito porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim.

E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga da bateria é para toda a vida.


'Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto'! (Is 55:6)


JESUS...

O maior Homem na história, JESUS CRISTO , não teve nenhum empregado, no entanto chamaram-no Soberano.

Não teve nenhum diploma, no entanto chamaram-no professor.

Não tinha nenhum medicamento, no entanto chamaram-no Doutor.

Não teve nenhum exército, no entanto os reis temeram-no.

Não ganhou nenhuma batalha militar, no entanto conquistou o mundo.

Não cometeu nenhum crime, no entanto o crucificaram.

Foi enterrado num túmulo, no entanto vive hoje.

Sinto-me honrado por servir tal chefe que me Ama! 'Às vezes, quando tudo dá errado acontecem coisas maravilhosas que jamais teriam acontecido se tudo tivesse dado certo'.


(desconheço a autoria)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mensagem de Ano Novo






Pra você:


Feliz Ano Todo!
pois nós já sabemos
que o Ano é Novo
(de novo!).
Logo,
nova deverá ser
a forma escolhida
para o Ano Novo
a gente viver.
Então,
Feliz Ano Todo!
Feliz Ano Sempre!




Sandra Medina Costa

(imagem da web)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Sagrada Família




(Lc 2, 22-40)

A família é a “célula-mãe da sociedade”. Quando bem estruturada, garante um desenvolvimento sadio da personalidade e, ao mesmo tempo, é um antídoto contra os vícios, especialmente, a droga, prostituição e violência. Nisto, a Sagrada Família é um exemplo. Mas, sua missão não é só educar para os valores sociais. A religião também ocupa um lugar importante. Maria e José apresentam seu Filho no Templo, quando ainda era criança. Durante sua vida, foi crescendo em “sabedoria, graça e idade diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52), sem dúvida, sob a orientação dos pais. O texto de hoje nos lembra, também, que os idosos (Simeão e Ana) fazem parte da família e são verdadeiros educadores da fé.

Fr. Luiz Iacovacz, OFM – Sorocaba / SPFonte: Folhinha do Sagrado Coração de Jesus

(imagem: "A Família" - Tarsila)

Mensagem ao Léo



A você Leo, meu querido irmão.

Menino levado de olhos arredondados,
Cabelos em cacho, feições delicadas,
O tempo passou...você cresceu,
Você mudou, se transformou, endureceu.
Onde está você, alegre, faceiro, riso gostoso,
Bolas de gude, carinho, efusão.
As jovens o vêem, se encantam,
VIRGEM SANTA MADALENA,
Ali estão guardadas lembranças.
O tempo não apaga.

Você se foi, se esqueceu menino querido
Dos tempos de outrora, das jovens donzelas
Das bolas de gude, do campinho, das peladas
Da voz de seu pai, que grita, que chama,
Dos irmãos, irmãos olhando você.
E você, a quem seguia? O que fazia?
Por que se magoou? A vida é combate,
Aos fracos abate, aos bravos, aos fortes
Só deve exaltar.

A rua das flores, o brejo, os sapos
Eu tenho medo, choro, reclamo,
Vocês riem, se divertem.
O brejo que vira “poço fundo”
Onde posso me afogar,
Ser comida pelos sapos.
Íamos à igreja, tão pequenos,
E você foi, ficou, aceitou...
Mas deixou...Onde está você ?
Tanta coisa boa, tanta coisa linda,
Mas você deixou, se escondeu,
Se endureceu, se curvou ao combate
Se fechou em sua concha encantada.
Ainda é tempo.
Fecho os olhos, vejo você,
Cabelos cacheados, olhos amendoados.
Volta, vem.
Beve, 1995

Evelyn Medina

Meu Desejo


(De Savanah para mim... Obrigada!)


Meu Desejo:


Primeiro: Que você experimente a paz de Cristo que excede todo o entendimento (Filipenses 4:7)
"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus."

Segundo: Que você tenha esperança sempre (Romanos 5:5)
"E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu."

Terceiro: Que você tenha força para vencer todas as lutas (Filipenses 4:13)
"Tudo posso naquele que me fortalece."

Quarto: Que o consolo divino te sustente nas horas difíceis (II Coríntios 1:3,4)
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, Para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações."

Quinto: Que nunca falte sabedoria para tomar as decisões corretas (Tiago 1:5)
"Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida."

Sexto: Que todas as manhãs as misericórdias de Deus te animem (Lamentações 3:22,23)
"Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade!"

Sétimo: Que você seja mais do que vencedor em Cristo (Romanos 8:37)
"Mas, em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou."

Oitavo: Que sua vida seja abundante (João 10:10)
"Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente."

Nono: Que você se lembre diariamente da razão da sua fé (II Timóteo 1:12)
"Por essa causa também sofro, mas não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou bem certo de que Ele é poderoso para guardar o que lhe confiei até aquele dia."

Que 2009 seja um ano muito abençoado para você e toda sua família.

Deus te abençoe.


Savanah Medina

Perfeição



Hoje, 10/07/08...
Somados de qualquer jeito
para se chegar ao número perfeito,
número de um só algarismo,
o resultado se repete:
é sempre o número sete!
Perfeição que se faz presente hoje
diante daquele mar imenso,
no horizonte se encontrando com o céu.
Orei a Deus.
Agradeci por toda aquela imensidão de vida.
Perfeição indomável
que nos coloca tal qual grão de areia
que se deixa levar
pelas mãos de Deus.
Ah, mar,
que me atrai, grandioso,
banhando meus pés, amoroso,
como se fora um batismo de Deus.
A cada vez que aqui venho,
toda vez que tímida adentro
a beirada de suas águas espumantes,
o reflexo do contato
me sobre à mente.
E é nesse momento que louvo,
que agradeço a Deus
e peço sua bênção.
Ah, mar, me ensine
a amar de novo,
reaprender a ser forte,
acordar meus sonhos de outrora
e realizá-los quando for a hora...
A hora de meu Deus.


Sandra Medina Costa

Para Nelson

"Firmar o pensamento
em Deus:
eis o segredo da fé!"

Nelson,
talvez você não se lembre, mas metade da frase acima foi você quem me ensinou em um dos momentos mais difíceis de minha vida. E foi o que me manteve de pé.

Meu querido irmão,
a segunda parte da frase eu a completo hoje, com muita certeza no coração, para dizer-lhe que, mesmo distante fisicamente, permaneço em constante comunhão com você, através de orações e pensamentos positivos, energia e luz.

Claro que hoje, quando você completa 56 anos de vida, só posso desejar-lhe muitas alegrias, força e fé para que você se mantenha também firme em Deus, garantindo assim a sua felicidade e a dos que estão ao seu lado. Mentalize a frase acima, procure internalizá-la mesmo, e repita-a mentalmente todos os dias e em todos os momentos em se sentir necessitado de luz. Foi isso que você me ensinou. Quero que faça o mesmo.

Um grande e fraterno abraço de sua irmã
Sandra (Lita).

Belo Horizonte, 18 de abril de 2007.

Para Ir. Maria



Gente como Maria
Possibilita o rompimento
Da quietude,
Conduz à ação do construir.

Gente como Maria
Traduz respeito
Em atitude,
Acredita no ser a evoluir.

Gente como Maria
Sabe que, na vida,
A maior virtude
É a humildade de saber servir!

Sandra Medina Costa

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Meus Heróis



Atualmente
(pode até ser coisa de momento, viu?),
tenho me sentido herói de mim mesma,
frente à dura realidade que se nos apresenta.

Tenho conseguido o que me parecia, antes, impossível:
sobreviver a mim mesma!
Eu e meus medos e coragens
Eu e minhas encucações, meus “grilos”, meus “fantasmas”
Eu e meus anjos, de perto, de longe...
Eu e meus “espelhos”, minhas perfeições e imperfeições.

Sobrevivi.

E olhe que é difícil. Isso não tem preço.

Sandra Medina Costa


"Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver".
(Cazuza)
Imagem: folha uol

Meu Tempo



Compraram meu tempo.

Ensinaram-me a vender
meu tempo
desde que me entendo por gente.

Não me ensinaram
como negociar o valor.
Não me disseram e eu
nunca soube
que valor era esse.

Aprendi,
apenas aprendi a
vender meu tempo.

Agora, quando
tenho tempo ocioso,
tempo de sobra,
não sei o que fazer
com ele.
Não aprendi vivê-lo.

Sandra Medina Costa

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Meu Presente - Meu Perdão









Hoje, seis de julho,
me lembro que me dei de presente.
Uma flor
no computador:
uma Catléia
Escolhida entre
ninféias, azaléias e outras flores...
Seria saudade de amores?

A idade 49 – quarenta e nove –
me fez somar quatro mais nove
e me traz o treze da sorte,
Mas não o trevo de quatro folhas.
Também, pouco importa.
Mesmo assim, consigo o quatro
ao somar um mais três
de imediato.
Sete vezes sete, total 49.
Resolvo, então, buscar
novos presentes, novas flores, mas todas de sete letras.

A Ninféia se apresenta
seguida da branca Azaléia,
que representa romance.
Prefiro, então, minha catléia
(variação de orquídea).
Mas vem de novo a Azaléia.
desta vez chega rosada
a defender o amor à natureza,
mais nada.

Camélia branca – beleza perfeita.
Camélia rosada – grandeza da alma.
Camélia vermelha – reconhecimento.
(Será que Camélia sabia também que era flor de verdade?)

Busco então outras flores.
Gerânio,
(lembranças de meu jardim...)
Hibisco, Narciso...
(este último, vaidade, mentira, egoísmo).
Prefiro admirar a Papoula –
sinônimo de sonho, ressurreição, fertilidade!
E o que dizer da Violeta?
Modéstia, lealdade, simplicidade.
Antúrio, aquela do “Jorge Tadeu”,
lembrança sensual de outrora,
numa novela de TV,
(e o nome não me vem agora).

Cravina, de cheiro tão doce!
Gérbera, que não conheço...
Jacinto, Liatris... (eu mereço!).

Sinto que a hora querida
é voltar aos 49 – quarenta e nove,
e me confundo 69 – ?
Seis da Tulipa, minha flor preferida
e o nove da Calêndula,
tão linda, tão esplêndida,
perfume inconfundível na vida.

Sete vezes sete igual a 49 – quarenta e nove.
Sete vezes setenta igual a 490 – quatrocentos e noventa.
“O perdão genuíno se esquece das ofensas.”
Uma frase de sete letras...
As flores de sete letras...
49 – quarenta e nove anos de idade
biblicamente me levam a Mateus,
à conversa de Pedro e de Cristo,
à importância que Deus
coloca a nós, filhos teus,
sobre o valor do perdão.
O perdão que minh’alma


pouco entende, mas se acalma.


Sandra Medina Costa









O perdão genuíno não se lembra das ofensas. A Bíblia diz em Mateus 18:21-22 “Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete.”

Maria de Todos Nós



Maria
ri
Maria
se emociona
Maria
Ama (e mais ainda amaria, se coubesse
em seu coração imenso
todo o amor que penso
que lhe devotamos com fervor...)
Maria
sempre de bom humor...
pois amar e humor são próprios de Maria...
Imaculada a hora
e bendito o dia
em que vieste, Maria,
doce e imaculada senhora.
Senhora Marques Freitas,
Já reconheces agora as marcas feitas
Em nossas almas e corações?

Sim. Há quem já se torna afeto
muito antes de ser feto
(Vó Lilita que o diga!).
E após feto no ventre amado,
ao nascer, o afeto é dobrado, triplicado, multiplicado

Como um ímã, nos atrai faceira
e nos tem sempre ao seu lado.
Afeta de tal forma nossas vidas
que as marcas (Ah, belas marcas!)
cravam fundo n’alma.

Daí os milagres se repetem:
tornamo-nos fetos de novo,
agora carregados de afeto.
E nascemos de novo,
ficamos prenhes de sonhos,

e damos à luz o que há de melhor em nós!


Sandra Medina Costa

Grampo



Grampo – Objeto metalizado que foi criado, inicialmente, com o objetivo de prender os cabelos. Com a evolução tecnológica, o grampo foi assimilando novas e importantes funções, dentre as quais destaca-se a de “tirador de cera do ouvido”.
Entretanto, importantes pesquisas realizadas nos campos científico e psico-socio-emocional vêm comprovando que o uso indiscriminado do grampo para prender os cabelos, na verdade é uma maneira inconsciente de o indivíduo prender as idéias que teimam em brotar fora de hora.
A conclusão mais aterradora e surpreendente, porém, é com relação ao hábito de tirar a cera do ouvido com o grampo. Importantes pesquisadores do assunto comprovaram ser essa uma tentativa inconsciente de extrair idéias naqueles cruciais momentos em que o indivíduo precisa escrever algo e está sem inspiração.

Moral da história: “Estou com tédio. Quero ir pra casa.”


Sandra Medina Costa


(imagem da web)

Juramento



Eu, Educador, no exercício pleno de minhas funções, prometo:

acordar meus sonhos ora adormecidos
para não perder de vista meu norte – Cristo;

sonhar sonhos novos
para garantir o melhor alimento de minh’alma;

lutar para tornar possíveis os meus sonhos
e os daqueles que compartilham comigo
a fé na vida,
a construção da paz,

a certeza de que é possível um mundo melhor.


Sandra Medina Costa


(imagem da web)

domingo, 21 de dezembro de 2008

4º Domingo do Advento



(Lc 1,26-38)

Neste domingo vemos a figura marcante de Maria, que se coloca diante de Deus com simplicidade, fazendo-se menor. Ela age assim porque acredita em Deus. “Alegra-te” é a expressão própria da realização da promessa divina. “Cheia de graça” carrega o significado do favor de Deus que Maria recebe. O amor de Deus é gratuito em relação a Maria. Com fé se dá o diálogo. Deus confia em Maria e ela faz o mesmo, dando sua resposta. A obra do Espírito Santo e da fé que Maria tem fazem que aceite esse chamado: “Eis aqui a escrava do Senhor...” Coloca-se à disposição. Com o seu sim, Maria participa da história salvadora.Hoje esta tarefa é nossa. O chamado nos é feito sempre, temos na família, na igreja e na sociedade, sendo servidores do Senhor.

(Fr. Aladim Uber, OFM – Curitiba / PR)

Fonte: Folhinha mariana do Sagrado Coração de Jesus)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mar



Mar revolto
ondas remotas
eu de volta
Pensamento solto,
Sorridente, maroto...
Saudades mortas

Amoras perfeitas,
Amores-perfeitos,
Sonhos desfeitos
Amores sem rumo,
navios a prumo
me mostram um resumo
do que vem sendo minha vida.

E o ar fica leve
A brisa sopra suave
O mar encontra o céu
e me confunde, meu Deus!

Caminho na areia revolta
pelas ondas que vêm e se vão.
Minha estrada, sob os pés tão solta,
passa depressa, acelera meu coração.

Volto à praia e
me certifico que ele está lá: o mar.
Ora verde, ora azul,
ora calmo, ora agitado.
O mar ora, ora!
E essa descoberta me surpreende.
Também oro.

Porque o mar, nessas horas, me lembra meu pai
(eu nunca soube se meu pai orava).
Sei que gostava de mar, de rio...
de água... gostava tanto
que, de tanto amar,
um dia uniu-se de vez a ela.
É uma constatação que me surpreende.
De novo.
Quero amar o mar,
mas não a ponto de a ele me entregar.
Mar é só pra ser visto,
admirado, sentido, tocado,
reverenciado como uma das grandes criações divinas.
Assim me sinto mais menina.

Aquela menina que um dia
viu o mar, sentiu a maresia,
comeu camarão seco
espalhado numa peneira ou bacia,
entrou no mar e se encantou.
− O mar é bom! pensava.
− O mar é meu amor! disse um dia,
quando voltou, depois de adulta,
a pisar a areia fria.
− O mar é bom! pensou de novo.


Sandra Medina Costa


Foto: Vila Velha - ES

Fecha-a-porta-maria...



“Fecha-a-porta-maria-que-o-boi-invém!”
A frase era dita com imensa alegria
e, ao mesmo tempo, a mão batia, escorria,
pelas folhas verdes da moita da planta,
a que dávamos o mesmo nome.
E a mágica se acontecia:
uma a uma,
as folhas iam se fechando
sozinhas!
Mesmo o boi não aparecendo,
elas não se abriam...

Quis o destino mais tarde,
que eu já madura
(Criança adormecida na alma)
fosse morar numa linda e colorida casa
construída naquele mesmo pedaço de terra,
onde, outrora, havia pés e mais pés de
"fecha-a-porta-maria-que-o-boi-invém"...


Sandra Medina Costa


(ilustração da web)

Existe Vida Após a Vida?



Sei que parece estranho. Normalmente, alguém diria: “Existe vida após a morte?”
Mas foi proposital a frase. Existe vida após a vida!
Isso se justifica pelo simples fato de ser imprescindível ao ser humano reconhecer que não se pode parar frente às pequenas “mortes” de cada dia – aquelas dificuldades, aborrecimentos, probleminhas ou problemões que aparecem (ou que até mesmo são gerados por nós) e que, se assim o permitirmos, terminam por “matar” nossos sonhos, valores, amores, verdades.

Sim. Há vida após a vida.

Há vida a ser vivida,
sonhada, sentida,
compartilhada, curtida,
sonhada a dois, a mil,
mas vivida!


Sandra Medina Costa

Conselhos para a Conselheira



Quando, aos 21 anos, veio para Minas, Maria já era mineira, mas ainda não o sabia. Ela desconhecia o misterioso fascínio de nossas montanhas e a preciosidade de nossa gente. Na flor da idade, já havia a opção de missionária agostiniana: não era mais só de Jataí – Goiás; agora também era de Minas, Minas Gerais.
E, se é de Minas, é do mundo! Agora a gente já sabe, ao saber Maria tão longe... e, eternamente tão perto de nós.
Naquele tempo, a caligrafia de Maria já dava mostras de um “ser em constante devir”; ali já se esboçava o perfil da grande mulher que voltaria há uns 10 ou 11 anos para ser a diretora do Colégio Santa Rita.
O que vemos hoje é um misto de humildade, engajamento social, comprometimento com a missão, exemplo de cultura e modernidade, consciência crítica e política, humanidade, intensidade na busca constante da fraternidade, presença definitiva em nossas almas.
Pois em seu nome se esconde a beleza do infinito, do eterno.
Sandra Medina Costa
(imagem: agustinasmisioneras)

Dia do Contabilista

25/04/2008

Números,
números,
e mais números,
e nossa vida parece cheia disso!
Às vezes até parece
que nos transformamos em números:
RG, CIC, CJPJ, CEP,
CNH, PIS, PASEP,
INSS, TR, CTPS…
O número da casa,
O número do apartamento,
O número do telefone,
O número do celular,
O número do fax (que antigamente se chamava fac-símile, vê só!)
e sei-lá-mais-o-quê!
Ações, aplicações, mercado futuro,
(e meu futuro me esperando...)

Fluxo de caixa, contas e mais contas,
(será que do salário vai sobrar algo neste mês?)

Ativos, passivos,
Balancetes e balanços,
(e meu pensamento voa pra infância,
para aquele balanço improvisado
no galho forte da mangueira...)

Orçamentos, ano financeiro, exercício fiscal,
Inadimplência, negociante,
Taxa de câmbio, variação do dólar, moeda européia,
Taxa de câmbio flutuante?
(e o que dizer de minha mente flutuante?)

Pib, poupança, frete,
Superávit ou déficit,
Renda, imposto de renda,
(Ah... o vestido de renda que um dia me conquistou...)

Juro, taxa de juro,
Liquidez, recibos,
(Propina? “Vai ver se tô na esquina!”)

Salário, desemprego, sindicatos, greves,
Especulação, negociação, capital de giro,
(... e eu só queria dar um giro lá fora,
respirar o ar puro da aurora
de um dia comum, como agora.)

Sandra Medina Costa


“Todos nós temos dons diferentes
segundo a graça que nos foi dada.” (Rm 12,6)

(imagem da web)

Aprendizagem “quae será tamen”



Há alguns anos, eu, firme e confiante que estava em um projeto de excelência na prestação de serviços de uma instituição, me esforçava ao máximo para “dar o melhor de mim”. Eu ajudava na elaboração deste documento.
Certa feita, já após sua implantação, cheguei a repassar a um dos gestores, a frase (cujo autor não me lembro mais) “No próximo ano, precisamos de profissionais cada vez mais especializados no impossível!”, que foi imediatamente aceita e logo transformada numa mensagem e entregue a cada um dos trabalhadores daquela unidade. Na ocasião, não tive a sabedoria de analisar sob todos os ângulos a mensagem e tampouco a sua profundidade ou o impacto que causaria nas pessoas.
Hoje, com tristeza vejo que o sentido da frase foi completamente errôneo, pois, nas entrelinhas, pude ler: “precisamos de deuses, daqueles que realizam grandes milagres”. Entretanto, é preciso lembrar que qualquer empresa é formada por pessoas, não por deuses!
A lição que aprendi somente agora é a de que podemos e devemos “fazer o nosso melhor possível” e entregar o impossível nas mãos de Deus.
Misericórdia – é o que peço a Deus. Que Ele, com seu manso olhar, toque cada um dos dirigentes para que não se perca de vez a essência mais profunda que faz com que a instituição se mantenha firme e mais humana: a sua filosofia embasada nos ensinamento divinos. Caso contrário, será apenas mais uma empresa num mercado altamente competitivo.

Sim, acredito ser possível “fazer a diferença”, ter um diferencial neste mercado de trabalho. Um primeiro passo talvez seja retomar os princípios e valores que deram origem ao projeto e, a partir de então, reescrevê-lo e, se bem entendido por todos, cumpri-lo.

Sandra Medina Costa

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aumento no número de vereadores?

Câmara dos Deputados barra proposta que aumenta número de vereadores no país - Na madrugada desta quinta, o Senado havia aprovado a ampliação dos atuais 51.924 vereadores para 59.267, acréscimo de 7.343, nas Câmaras Municipais. (matéria: www.folha.uol.com.br)





Quando eu era criança, havia ladrões que agiam na calada da noite... Os adultos diziam que eram “ladrões de galinha”. Naquele tempo, eles usavam máscara (semelhante à do Zorro) e carregavam um saco de linhagem, onde enfiavam as aves roubadas. Era um crime quase que “perdoável”, pois, segundo os adultos nos diziam, eles roubavam para se alimentar.
Hoje vejo que tais ladrões evoluíram bastante, se profissionalizaram e têm nome novo: políticos. Quanto à máscara, acredito que, num processo de “osmose camaleônica”, passou a fazer parte da cara do sujeito de forma, digamos, essencialmente amadeirada (se é que me entendem). O saco de linhagem foi trocado, obviamente, pelas já famosas malas. Já não roubam mais galinhas para matar a fome; logo, não dá mais para se pensar que seja um “crime quase perdoável”.
Interessante é perceber que duas coisas permaneceram iguais: 1) eles não são presos (e nem castigados) pelo ato criminoso; e 2) continuam agindo na calada da noite...


Sandra Medina Costa

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Por que as pessoas gritam...?



Um dia, um mestre perguntou aos seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao teu lado?
- Gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça.
- Não é possível falar-lhe em voz baixa?, retrucou o mestre.
Os homens deram algumas outras respostas, mas nenhuma delas satisfez o mestre. Finalmente, ele explicou:
- Quando duas pessoas estão aborrecidas entre si, seus corações se afastam muito um do outro. Para cobrir essa distância, elas precisam gritar para poder escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais alto terão de gritar para um ouvir ao outro através dessa grande distância.
O mestre fez uma pausa e continuou:
- Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam, mas se falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto um do outro. Às vezes, estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. Outras vezes, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham e já basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando dois enamorados estão próximos.
Então, o mestre completou:
- Portanto, no trabalho, quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que magoem, fazendo-os distanciarem-se ainda mais. Porque senão chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.


(desconheço a autoria)

As Águas Purificadoras



(Ez 47.1-12)

"1 Depois disso me fez voltar à entrada do templo; e eis que saíam umas águas por debaixo do limiar do templo, para o oriente; pois a frente do templo dava para o oriente; e as águas desciam pelo lado meridional do templo ao sul do altar. 2 Então me levou para fora pelo caminho da porta do norte, e me fez dar uma volta pelo caminho de fora até a porta exterior, pelo caminho da porta oriental; e eis que corriam umas águas pelo lado meridional. 3 Saindo o homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir, mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. 4 De novo mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos. 5 Ainda mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham crescido, águas para nelas nadar, um rio pelo qual não se podia passar a vau. 6 E me perguntou: Viste, filho do homem? Então me levou, e me fez voltar à margem do rio. 7 Tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia árvores em grande número, de uma e de outra banda. 8 Então me disse: Estas águas saem para a região oriental e, descendo pela Arabá, entrarão no Mar Morto, e ao entrarem nas águas salgadas, estas se tornarão saudáveis. 9 E por onde quer que entrar o rio viverá todo ser vivente que vive em enxames, e haverá muitíssimo peixe; porque lá chegarão estas águas, para que as águas do mar se tornem doces, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio. 10 Os pescadores estarão junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim, haverá lugar para estender as redes; o seu peixe será, segundo a sua espécie, como o peixe do Mar Grande, em multidão excessiva. 11 Mas os seus charcos e os seus pântanos não sararão; serão deixados para sal.12 E junto do rio, à sua margem, de uma e de outra banda, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer. Não murchará a sua folha, nem faltará o seu fruto. Nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário. O seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio".


Diz a palavra que por onde as águas passavam, criavam vida e assim tem que ser as águas que emergem de nossa boca, produzir vida para todo solo seco, desértico. Esta água não pode ser uma única medida, porém tem que ser cada vez maior.


domingo, 14 de dezembro de 2008

3º Domingo do Advento


(Jo 1,6-8.19-28)

Este é o Domingo da Alegria. Por isso, a liturgia de hoje dá ênfase a este tema. O profeta Isaías é impulsionado a levar a boa-nova da alegria aos pobres; o “Magnificat” é expressão de júbilo pela vinda do Messias. Enfim, a exortação à alegre esperança atravessa toda a liturgia deste domingo. O Evangelho, sobretudo, nos aponta para a feliz expectativa da vinda da verdadeira Luz. João Batista é aquela voz que, após transmitir a mensagem, desaparece; é um brado de esperança, porém, não é a Esperança; é a voz que anuncia a luz, mas não é a Luz. Foi assim que o Batista anunciou o Messias: com intrepidez, mas também com humildade. Seja assim o nosso testemunho, acrescentado de muita alegria!

(Fr. Sílvio T. Werlingue, OFM – Campo Largo / PR)


Imagem: agustinasmisioneras

Irmãos


Os afetos me afetam.
Os desafetos também.

Não há como ficar ileso
quando o coração se abre em desejo
de acolher, num lampejo,
o irmão ao longe, perdido,
numa vida vazia, sem sentido...
Pois há tempos sua razão adormeceu
num canto escuro da alma.
E a emoção, sem a razão,
não vê o caminho
que conduz à Luz.

Estendo a mão ao irmão.
Fragilidade de criança
em corpo de gente grande,
em alma sedenta de amor e paz.
Mas ele não vê
que é dentro dele mesmo
que o Amor habita e pulsa latente,
Apenas esperando a hora de acordar.

É preciso cuidar dos afetos.
É preciso orar pelos desafetos.

Sandra Medina Costa

Imagem da WEB com a frase:
El amor mas fuerte es aquel que
puede mostrar su fragilidad.”
(Paulo Coelho)

O Tempo



Não aprendi a lidar com o tempo.
Mais especificamente com o tempo ocioso.

Parece que tenho
a obrigação já inerente
de estar fazendo algum
serviço.
Não consigo participar
livremente de uma festa
na escola (ou em qualquer
lugar...)...
É como se houvesse uma proibição interna, sei lá.
É uma sensação difícil.
(...)
(...)
(...)


Sandra Medina Costa

Por Ela...



Por ela
Eu teria sido Rômulo, não Sandra.
Talvez por isso eu me sinta Remo e tenha vivido até então como ponte...
(porque pular o obstáculo pode ser mortal, como diz a mitologia)

Para ela
Eu fui a mais inteligente, uma pessoa importante; a minha letra era a mais linda para escrever.
Para ela, nessas horas, não era importante se eu sofria calada,
Se meu coração sangrava ao ser obrigada a escrever lindas mensagens
Nos momentos em que era preterida em razão de Rômulo – seu pastor...

Por ela
Eu interrompi meus sonhos de amor muitas vezes.
E quando teimei e desobedeci, só o que deu certo foi o filho que veio, que sempre amei de paixão.

Por ela,
Diante da dor maior da desilusão, voltei correndo para casa,
No desejo de (quem sabe?) acolhida ser de novo acolhida em seu coração.

Para ela
Procurei ser a obediente menina que, mesmo assim, voltou a sofrer,
Por ter o filho chamado de “porco branco filho de uma zebra”,
Também preterido em função de outro neto preferido.
Sofri calada muitas vezes
quando bati em meu filho sem razão, por travessuras de criança que a incomodavam.

Por ela,
Em troca, me esforcei e supri todas as suas necessidades materiais,
Realizei seu sonho de ter a varanda mais bela, consertei o telhado,
Comprei móveis e cortinas novas para a casa...

Por ela,
Repetidas vezes,
Perdoei as ofensas e descontroles do irmão descompensado,
Mas que também um dia fiz chorar (e ele também era o preferido).

Por ela
Eu me senti menos amada.
Por ela, ainda assim,
Fiz os mais belos e sagrados poemas,
Fui preterida. Nunca soube se valeu a pena.

Por ela
Rezei a Deus para que ela não morresse nunca, que fosse eterna,
Pois não saberia viver sem ela.

Por ela,
Já quase no final da sua vida,
Eu teria sido menos moralista e me calado mais
Não teria sido seu espelho, jamais.
Hoje sei que ela vive na eternidade do meu confuso amor.
Inexplicavelmente,
Tenho a quase certeza de que faria tudo de novo jeito.
Entendi que um dia fui aceita e acolhida em seu ventre,
Algumas vezes em seus braços, abraços,
Outras vezes em seus olhos.
Recebi seu alimento mais puro de seus seios brotado,
Mesmo não sendo o menino esperado.

Sandra Medina Costa

Meu Par de Sandálias Azuis




(Por Evelyn Medina - Conto feito em homenagem à tia Lourdes)

Tia Lourdes, me lembro muito dela. Tão bonita, exuberante, em seus cabelos negros e ondulantes. Morava no Rio de Janeiro e todos os anos, por ocasião das férias vinha passear em nossa casa. Era uma festa. Trazia pra nós muitos presentes, roupas, perfumes. Arnaldo, seu único filho, nos contava as novidades da cidade grande. Falava sobre os filmes, artistas, das acrobacias nos circos, e muitas outras histórias não conhecidas em nossa pequena cidade do interior. Todos os anos aguardávamos ansiosos sua chegada.
Ela era uma linda mulher, de natureza forte e decidida. Gostava de mandar, exigir, intrometer, como tia que era, nas coisas erradas que fazíamos.
Eu me lembro, certa vez, quando mamãe ganhou um de meus irmãos mais novos. Tia Lourdes estava conosco. Foi nos proibido ir ao hospital. E nós crianças recebíamos as noticias de mamãe, se os adultos nos quisessem dar e da maneira deles. Meu coração doía e apertava preocupada com mamãe. Queria muito vê-la, mas era impossível sonhar tal coisa. Tia Lourdes vigiava tudo e nos impedia peremptoriamente de sairmos de casa. Mamãe precisava de uma pasta de dentes. Alguém falou pra tia Lourdes. E eu me ofereci pra levar, mas eu queria mesmo era ver mamãe. Não adiantou pedir, espernear, foi me negado o direito de ir ao hospital. E então aconteceu. Resolvi fugir. Eu já de pijamas de dormir, pra não despertar desconfianças, sai sorrateiramente, correndo desenfreadamente pra não ser alcançada. Desci um beco comprido, o beco de D. René, passei lá em baixo, perto do campinho e finalmente cheguei ao hospital. Fiquei feliz ao ver mamãe com o nenê do seu lado já recuperada e livre de perigo. Mas tia Lourdes ficou uma fera com a minha desobediência.
De outra feita, fui com meus colegas de escola a um passeio. Passamos perto de minha casa. Marlene, minha colega mais chegada, entrou em casa comigo pra bebermos água. Tia Lourdes começou a esbravejar e reclamar por eu trazer pessoas desconhecidas pra dentro de casa. Fiquei muito aborrecida e comecei a cantar: “cachorrinho está latindo lá no fundo do quintal, cala boca cachorrinho, deixa meu vizinho entrar”.Tia Lourdes, com toda a razão ficou muitíssimo aborrecida. Chegou pra mim e disse-me o quanto estava sentida e que só me perdoaria se eu lhe pedisse perdão de joelhos. Não me importei muito naquela hora. A colega foi-se embora e tia Lourdes voltou pro Rio de Janeiro. Os dias se passaram.
De repente encontrei-me com Jesus. E Ele disse-me muitas coisas acerca dos meus pecados.Disse-me da necessidade de pedirmos perdão quando magoamos alguém. Meu coração saltou. Lembrei-me de tia Lourdes e decidi escrever-lhe pedindo perdão. Falei assim na carta:- tia Lurdes, peço de joelhos, seu perdão e espero ansiosa sua resposta.
Aguardei a carta de tia Lourdes. Eu pensava: - terei o seu perdão? Responderá ela à minha carta?
Os dias se passavam e nenhuma resposta chegava. E eu parei de esperar. Envolvi-me com minhas brincadeiras de criança e minhas leituras.
Um dia bateram em nossa porta. Era o carteiro. Lembro-me ainda hoje dele. Trazia um documento endereçado a mim, solicitando meu comparecimento ao correio. E eu pensei: - o que será? Quem terá me enviado alguma coisa? E mamãe levou-me, então ao correio, cheia de curiosidades pra buscar a preciosa encomenda.
Quando lá chegamos, qual não foi minha surpresa. Vinha do Rio de Janeiro, enviada por minha tia Lourdes. Era um lindo par de sandálias azuis...


Evelyn Medina


Sagrada Missão

A dor que me sangra o peito
é a mesma que outrora
meus desafetos causaram
e, por isso, mandei-lhes embora
de minha vida sem jeito,
que sem alegria só chora.

Meu feto
Meu filho
Meu afeto
Meu brilho

Minha sagrada missão
pela honra de Deus concedida:
parir um lindo ser de luz
e ser-lhe mãe nesta vida.

Nesse Advento, oro
caminhando em busca do Divino Encontro:
que meu filho se conscientize
do que quer dizer hoje meu pranto.
Que Deus o conduza com amor
pelos caminhos do bem e da Luz,
para que ele se fortaleça bem mais
no amor e na fé em Jesus.


Sandra Medina Costa




S. O. S.



Save Our Ship
Save Our Souls

Salvem O Sonho
que tenho
de dizer de novo “eu te amo”
primeiro a mim mesma,
depois aos que precisam ouvi-lo.

Salvem O Sentimento
de auto-engano,
de um perdão inexistente
que, numa fração de segundo,
desaparece de mim, de repente.

Senhor,
Salve nossos “navios”,
pois dizem que “navegar é preciso, viver não é preciso”
Salve nossas almas,
conduz-nos pelo caminho que leva ao Pai.


Sandra Medina Costa


(imagem da WEB)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Neste Natal


Meus irmãos, amigos, amores...

Neste Natal,
celebro o renascimento de Jesus em meu filho Paulinho,
na certeza de que Deus habita em cada um de nós.
Quem sabe seja este o segredo:
ver Jesus, todos os dias,
no rosto do nosso irmão?
Então, é Natal! Pois Jesus renasce
a cada momento,
quando conseguimos fazer esse “milagre”.

Aproveito para desejar a todos
um novo ano com, no mínimo,
2009 milagres como esse.
Sandra Medina Costa
(imagem: agustinasmisioneras)

O Pinheirinho de Natal



Conta uma antiga lenda
Que, quando Jesus nasceu,
As árvores que estavam por perto
Cada uma um presente lhe deu.

Somente o triste pinheirinho
Desolado, num canto sofria
Por não ter um presentinho
Para o filho de Maria.

No céu brilhavam as estrelas
E com o pinheiro se comoveram.
− Vamos todas alegrá-lo!
E logo do céu desceram.

As estrelinhas brilhantes
Penduraram-se nos galhinhos,
E piscavam sorridentes
Alegrando o pinheirinho.

Naquele sagrado momento,
Todos em volta de Jesus,
Viram em seu lindo rostinho
Brilhar a divina Luz!

Dizem, hoje, que é por isso
Que, quando o Natal vem chegando,
As pessoas renovam a fé
E vão suas árvores enfeitando.

E que os presentes dados,
Principalmente às crianças,
Mantêm vivas no amor,
A fé, caridade e esperança!

Sandra Medina Costa

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Nós e nós


AI
de nós que não soubemos ouvir os
AIS
que gritavam em nossas almas, impedindo que o
AR
que respirávamos fossem um só.
ÉS
parte agora de um passado-presente (ou presente passado?)
IR
em busca de outros sonhos, pois
OS
que outrora existiam se foram em
UM
piscar de olhos, em uma mesa de
BAR
ou na ilusão de um amor que
BEM
ou mal me fez mulher, me fez feliz um dia.
CEM,

mil, milhões de vezes, ao
CÉU
orei
COM
fervor pelo nosso amor, até saber que a
COR
desse sentimento (a qual um dia me perguntaram) eu sabia de
CÓR:

é marrom, é negro. Não, é multicor.
DAR
cor ao que se sente faz com que a gente

mais atenção à vida, que se esteja preparado para o que
DER
e vier. E, se
DEZ
vidas eu tivesse, dez amores teria, pois é o coração que
DIZ
quando a gente é feliz.

maior, sol com si, lá menor... “O sol brilha por si”.
DOIS
violões guardados, pois a
DOR
de te perder, de me perder,
FAZ
com que me sinta menor. Hoje a

me sustenta, me põe de pé. Provo ainda o
FEL
da solidão que me abate e que
FEZ
de mim um solitário
FIO
de teia de aranha, que ameaça se romper de vez em quando...
FIZ
poemas como nunca, lembrei de
FOZ
do Iguaçu, troquei o
GÁS
da lamparina da minha infância, li e reli Chão de
GIZ.

Giz que

anos usei nas aulas de Português. Sim,
HÁS
de te lembrar, fizeste o mesmo
JÁ,

como me disseste.
JAZ
agora aquele amor, pois um dia perdi a paciência de
JÓ,

e fiz
JUS
à fama de mulher decidida: decidi! E foi

em Vila Velha que resolvi de vez mudar meu
LAR.

Agora somos só eu e meu filho, que às vezes

o que escrevo, me ajuda a ficar de pé.
LER
coisas boas, mãe! é o que ele aconselha. Penso na Flor de
LIS
(a música do Djavan), sua história,
LUZ
de vela que brilha na alma, e vejo de novo que o
MAL
de amor se sofre calada, só se cura ou se acaba no
MAR
de Porto Seguro.
MAS
não provo
MAIS
do doce
MEL
de lábios que não são mais meus.
MEUS
pensamentos agora andam a
MIL
por hora, se confundem e
NÃO
me deixam conduzir a
NAU
que me levará às águas tranqüilas de Itaipava
NEM
de Porto Seguro. Há um

na garganta que me impede de gritar: quando foi que
NÓS
criamos os nossos NÓS e perdemos a sintonia de nossas almas? O
PÃO
que me alimenta traz a
PAZ
à minha alma. Meus doloridos
PÉS
sofrem a tortura que inconsciente lhes imponho, sem poder pisar o

do chão, da sala, da rua, porque
PÔR
os pés no chão implica em andar – dificuldade que alguém
PÔS
em meus pensamentos. Hoje, de novo tento ser a
PÓS
-mulher, aquela que não tem ex-marido.
PUS
uma tranca em meu coração,
QUAL
temível soldado, para não saber mais
QUAIS
os riscos de se entregar a um novo amor.
QUÃO
sofridos foram os dias de luto vividos por
QUEM
amei de verdade. Agora meu coração não
QUER
mais saber o que um dia
QUIS:

ser feliz ao lado de um bem; preferiu dar
RÉ,

dar meia-volta, qual
RÊS
que se vê sendo levada ao matadouro, qual
RÉU
que sofre uma culpa que não tem e não entende.
RIR
de si mesma, conselho que recebi;
SE
puder ou conseguir, rir dos problemas depois,
SEM
prender-se a detalhes tolos, sem
SER
tão cruel com
SEU
próprio coração, com
SI
mesma. Dizer
SIM
à vida, pois

assim o
SOL
voltará a brilhar em mim. A
SÓS
com meus pensamentos, imagens, sonho
TER
a coragem de superar a tristeza, a depressão e olhar de novo
TEU
rosto, tua
TEZ
que envelhece, e poder falar a
TI
sem medo.
VÊ:

também me sinto envelhecer e aí
VEM
a tristeza de
VER
as rugas surgindo de dentro para fora. Sei apenas que o
VÉU
das lágrimas que cobre meus olhos
VEZ
por outra, deixa
VIR
à tona a criança que mora em mim.
VOU
me deitar. Não canto mais, a
VOZ
já rouca mostra o
XIS
da questão: superar a depressão e
ZÁS!

elevar a auto-estima! – É o que me diz meu coração.

Sandra Medina Costa

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Filhas de Maria



(Para Kércia)


Desde que me entendo por gente
Tenho uma estranha mania
De chamar àquelas que gosto
Pelo nome de “Maria”.

Não sei se é sina, destino,
Mas a verdade é que Deus
Pôs sempre Marias ao meu lado
(e, cá pra nós, anjos seus!)

Fui buscar explicações
Para os nomes Maíra e Millena
E descobri que a sua origem
Vem de Maria – soberana e serena.

Foi de propósito, irmã querida,
Que escolhestes nomes tão lindos?
Ou terá o Espírito Santo
Soprado-os em teu ouvido?

Sandra Medina Costa

Família






O que significa a palavra 'Família'?

Você tem consciência que, se morrêssemos amanhã, a firma onde trabalhamos nos substituiria rapidamente?

Mas a família que deixamos para trás, sentirá a nossa falta para o resto das suas vidas. Pensando nisto, já que perdemos mais tempo com o trabalho do que com a família, parece um investimento muito pouco sensato, não acha?

Afinal, qual a moral da história?

Você sabe o que significa a palavra Família em inglês?
'FAMILY' = (F)ATHER (A)ND (M)OTHER (I) (L)OVE ( Y)OU:
Pai e Mãe Eu Amo Vocês.

Dizem que se passarmos esta mensagem acontece um milagre...
Eu achei esta mensagem muito bonita, curtinha, e depois, quem é que não precisa de um milagre? Aproveite!
Deus abençoe você e toda sua 'Família'.

(imagem: "Família" - 1925 - Tarsila do Amaral)

Cisco


É ruim, heim? Eu correr riscos!
De vez em quando até me arrisco,
mas nem sempre vou lá e conquisto

Ó “procevê”:
Como boa mineira que sou,
digo que tem um trem no meu olho,
nunca que há um cisco!

Cisco, ciscar?!
Sei lá...Isso é coisa de galinha.


Sandra Medina Costa

Sons



Sons misturados
Sono leve
Leve sonho
Lá fora
O barulho
Cá dentro
O silêncio
A insônia
Sonha
Com o sono
Leve
Que leve pra longe
Bem longe
As apreensões
E ansiedades
A noite
O silêncio
Traz
Uma mistura
De sons...
Zumbido
No ouvido
Panela
De pressão
Melodia triste
Notícias ruins
Miados
Latidos
Ao longe
Saudade
O ronco do motor
Um carro que passa
Chuveiro ligado
Alguém que abraça
No andar de cima
O ronco da barriga
A fome escondida
O som da saliva
Sendo engolida
Tic-tac, tic-tac,
Relógio ou
Coração
Tic-tac, tic-tac,

Zzzzzzzzzz…

Sandra Medina Costa

Superações





Alto mar, alto lá!
Nada de mar revolto.
Águas límpidas e calmas.
Um azul de tão indescritível beleza
Que chega a tocar minh’alma.

A ida até o recife de corais,
Um capricho da natureza:
Primeiro, um rio de águas turvas
Despejando-se num mar de beleza,
Misturando-se ao verde, em curvas.
Meu Deus, quanta grandeza!
Navegando mar adentro,
Percebi mudando-se aos pouquinhos
O tapete de águas mansas
Antes verdes, agora azuis bem mais.
Ao longe já se avistava
O recife de corais.

Descer do barco grande (na verdade, uma escuna),
Passar para um barco inflável e, então,
Mergulhar nas águas mornas e cristalinas.
Pisar, depois, firme o chão.
Senhor, até aqui me trouxeste!
Milagre da natureza. Eu, em alto mar,
Andando em mágica areia...
Solo formado de fósseis,
Corais mortos e eu, alheia,
Aos inúmeros ouriços pretinhos,
Espinhosos e mal escondidos
Sob as pedras do caminho.
Medo. Apesar dele, caminhar.
Mergulhar em natural piscina
Surgida com a maré baixa.
Eu brincava tal qual menina
Criança também cristalina
Rodeada de peixinhos coloridos.
E era muito bom poder voltar a brincar.
Momento pra se eternizar...

(Na volta, apenas uma cena triste:
O encontro de um golfinho morto, boiando, de lado.
Num gesto silencioso e de respeito,
Ele foi recolhido e levado à praia.)

O retorno é carregado de emoção.
Sinto falta do cheiro doce de flor
Que por vezes me envolve a me confortar.
Olho pr’aquelas águas e concluo que esse cheiro
Só pode ser azul, a cor daquele azul do alto mar.

Bênçãos eternas de meu Deus!


Sandra Medina Costa



domingo, 7 de dezembro de 2008

2º Domingo do Advento

(Mc 1,1-8)

“João Batista é o mensageiro que, denunciando o pecado e anunciando o perdão, convida a todos a converter-se à justiça de Deus. Ele é a voz que clama a todos que se convertam os corações para que se abram ao Senhor. E sua primeira característica é viver o que anuncia. Ele é o homem da esperança. Depois dele, virá o “mais forte” que realizará toda a promessa de Deus e preencherá toda a expectativa humana. Ele nos batizará no Espírito Santo. Cabe a nós cultivar o que João Batista proclama e testemunha: o desejo de liberdade, a coragem de sair, a força para enfrentar o deserto, a consciência do pecado e do perdão, a vontade de conversão, a esperança do “mais forte” que vem e do dom do seu Espírito. Só quem tiver essas disposições poderá acolher Jesus e o seu anúncio.”

(Autor: Fr. Germano Guesser, OFM – Gaspar / SC)

Como armar um presépio



(José Paulo Paes)

pegar uma paisagem qualquer
cortar todas as árvores e transformá-las em papel de imprensa
enviar para o matadouro mais próximo todos os animais
retirar da terra o petróleo, ferro, urânio que possa eventualmente conter e fabricar carros, tanques, aviões, mísseis nucleares cujos morticínios hão de ser noticiados com destaque
despejar os detritos industriais nos rios e lagos
exterminar com herbicida ou napalm os últimos traços de vegetação
evacuar a população sobrevivente para as fábricas e cortiços da cidade
depois de reduzir assim a paisagem à medida do homem
erguer um estábulo com restos de madeira, cobri-lo de chapas enferrujadas e esperar
esperar que algum boi doente, algum burro fugido, algum carneiro sem dono venha nele esconder-se
esperar que venha ajoelhar-se diante dele algum velho pastor que ainda acredite no milagre
esperar
quem sabe um dia não nasce ali uma criança e a vida recomeça?

Autor: José Paulo Paes

(imagem: www.agustinasmisioneras.net)

Que eu ...

Que eu continue a acreditar no outro mesmo sabendo de alguns valores tão esquisitos que permeiam o mundo;
Que eu continue otimista, mesmo sabendo que o futuro que nos espera nem sempre é tão alegre;
Que eu continue com a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida;
Que eu permaneça com a vontade de ter grandes amigos(as), mesmo sabendo que com as voltas do mundo, eles(as) vão indo embora de nossas vidas;
Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, sentir, entender ou utilizar esta ajuda;
Que eu mantenha meu equilíbrio, mesmo sabendo que os desafios são inúmeros ao longo do caminho;
Que eu exteriorize a vontade de amar, entendendo que amar não é sentimento de posse, é sentimento de doação;
Que eu sustente a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo, escurecem meus olhos;
Que eu retroalimente minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o sucesso e a alegria;
Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico possuo;
Que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça, mesmo em meio à turbulência dos interesses;
Que eu não perca o meu forte abraço, e o distribua sempre;
Que eu perpetue a beleza e o brilho de ver, mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos;
Que eu manifeste o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia;
Que eu acalente a vontade de ser grande, mesmo sabendo que minha parcela de contribuição no mundo é pequena;E, acima de tudo... Que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada vida, criada por alguém bem superior a todos nós! E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e, sim, nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós!


(Oração de Chico Xavier)

O Que Responder?

Menosprezo
Desprezo
Isolamento
Sarcasmo
Ironia
Deboche
Falsidade

Armas sutis
De desafetos
Que até ontem
Eram afetos

Amparo
Amizade
Certeza
Misericórdia
Luz
Equilíbrio
Força
Vida
Bondade
Acolhimento]graça
Serenidade
Verdade

E tantas outras palavras,
Tantas outras verdades,
Tantas lembranças queridas
Que o bom Deus me traz à vida.

Abençoa, Senhor,
a todos a quem,em descoberto,
tive que responder.
E a todos os outros
para os quais fui desafeto,

cobre de bênçãos o seu viver.

Sandra Medina Costa